Mais de 170 mil toneladas de resíduos têxteis são geradas por ano no Brasil

Foto de Lucas Bessa

Indústria da moda causa danos ao meio ambiente e alternativas no mundo da moda pensam saídas mais sustentáveis

De acordo com dados de 2017, disponibilizados pela eCycle, a realização das etapas de produção, confecção e comercialização de roupas feitas em diversos países é “responsável por 1,2 bilhão de toneladas de gases de efeito estufa por ano, valor que supera a aviação comercial e a indústria naval juntas”. 

No Brasil, de acordo com estudo do Instituto Akatu, são gerados por ano mais de 170 mil toneladas de resíduos têxteis da indústria da moda, sendo que 80% delas vão parar em lixões e aterros, segundo dados divulgados pelo Sebrae. 

A fabricação em massa e a falta de conscientização no descarte de peças que saíram de moda são preocupações que ascenderam com o surgimento do debate sobre moda sustentável. Essa nova vertente se preocupa com a poluição que as grandes varejistas produzem e defende novas formas de sustentabilidade, desde a produção de tecido até o descarte das peças de roupas. 

Existem várias maneiras de não agredir a natureza, uma delas é com a utilização de tecidos sustentáveis. Esses tecidos geram menos impactos para o meio ambiente e, desde o processo de fabricação até o descarte, é possível aproveitar esse material. Os tecidos eco-friendly (amigos do ambiente) são feitos de materiais como algodão orgânico, cânhamo, linho, modal, seda de soja e seda de laranja, sendo 100% sustentáveis e ainda incentivam o consumo consciente. 

Um outro exemplo é a Slow fashion (moda lenta), neste movimento não é possível seguir o modismo ou tendências passageiras, já que as peças são atemporais e elas resistem à passagem dos anos. Uma das características do Slow fashion é que a produção é local e artesanal, pois como o trabalho é feito manualmente, na maioria dos casos o cliente sabe quem produziu a peça. 

Tendo em vista os prejuízos que a indústria da moda ocasiona ao meio ambiente, projetos como o Biostudio, do professor da Universidade Federal de Goiás (UFG), Breno Abreu, surgem e incentivam a prática da sustentabilidade na sociedade. Segundo Abreu, formado em Biologia e Desenho Industrial, a ideia foi juntar ambas as formações e descobrir coisas novas a partir disso. 

“Acabei descobrindo um campo muito amplo e que é muito promissor; que é você desenvolver produtos ou serviços que envolvam ali um organismo vivo em algum momento da sua produção. Isso não é novidade. Isso era feito, por exemplo, na produção de seda; que continua até hoje utilizando bicho-da-seda”, explicou o professor. 

O biólogo diz ainda que durante o período do mestrado, pôde estudar uma técnica de tingimento de fibras naturais utilizando pigmentos de bactérias. “Eu fui atrás das bactérias e consegui encontrá-las na Universidade Federal de Pernambuco; que é um tipo de actinobacteria, que não é patogênico. Fiz os testes e consegui tanto tingir tecidos – ficando um tingimento menos uniforme, mais manchado; quanto desenvolver umas estampas também”, acrescentou.  

O projeto Biostudio tem o objetivo de incentivar a conscientização da comunidade e ensinar sobre as diversas formas de sustentabilidade. Ao chegar na faculdade, a orientanda do projeto e estudante de design de moda da UFG, Delaine Soares, se deparou com temas que precisavam de mais atenção. O principal assunto foi perceber que o mercado da moda prejudica o meio ambiente e que o mercado têxtil é o segundo mais poluente do mundo, pois as pessoas consomem sem consciência. 

“Fazer moda sustentável é um grande desafio, não se trata mais de um paradigma do futuro, mas uma obrigação para empresas que nascem hoje ou que já têm nome no mercado. O desafio é que muita gente ainda não entende essa importância e as matérias primas com esse princípio são extremamente caras”, desabafou a estudante. 

Delaine Soares possui um ateliê e produz peças em baixa escala. A artesã ressalta que a ideia é de que não é necessário consumir em excesso e que as pessoas podem encontrar produtos especiais ao comprar de pequenos produtores. 

“Este é o meu compromisso com a sustentabilidade, levar para as pessoas coisas que elas gostam, que elas se identifiquem e que as façam se sentir especiais. Por isso, o meu ateliê é voltado para costuras em pequena escala e produtos artesanais”, finalizou. 

Como uma forma sustentável, o Slow Fashion defende a ideia de se preocupar com o processo de produção da roupa adquirida. Desde as condições de trabalho dos produtores até a possibilidade de troca ou compra em brechós – como forma de reutilização. 

E para falar sobre isso, conversamos com a microempreendedora Letícia Vidal, que conta um pouco sobre o brechó on-line que administra e dá dicas de como ajudar o meio ambiente ao aderir à moda sustentável. Ouça no nosso podcast.

Por Duda Araújo e Lucas Bessa

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