O impacto da pandemia pela Covid-19 na saúde mental

A importância da estabilidade mental e sua intensa relação com o bem-estar

Em 2020 foi feita uma pesquisa que mostrou o impacto da pandemia na saúde mental de trabalhadores, o Instituto de Comunicação e Informação em Saúde (Icict/Fiocruz) contabilizou 22.876 questionários preenchidos na Espanha e no Brasil. De acordo com os resultados preliminares, os sintomas de depressão e ansiedade são maiores entre os trabalhadores de serviços essenciais do Brasil, atingindo 55% do total, em relação aos mesmos trabalhadores na Espanha (23%). Na época da pesquisa, a Espanha passava por seu pior momento da epidemia. 

A Educadora Física Fernanda Silva conta que as crises de ansiedade começaram quando a mídia iniciou a divulgação sobre os critérios de isolamento e quarentena que foram sendo aplicados pelas autoridades sanitárias em pacientes com suspeita ou confirmação de infecção por coronavírus: “eles divulgavam as notícias e sempre faziam as reportagens mostrando sobre tudo que estava acontecendo e foi quando começou a me despertar a ansiedade”, explica Fernanda.  

A pandemia da Covid-19 transformou 2020 em um ano crítico e sem mesmo ter chegado ao fim, os índices mostram que o quadro da pandemia é preocupante. É importante entender que da mesma forma que uma pessoa precisa cuidar de sua saúde física, criando e mantendo hábitos saudáveis como se alimentar bem, ter um bom sono ou fazer atividade física, também precisa cuidar de sua saúde mental, desenvolvendo hábitos positivos para isso. 

Sendo assim é necessário ficar atento se a forma com que a tristeza está se apresentando, está causando prejuízo ao funcionamento social e em outras áreas da vida do indivíduo. Fernanda diz que procurou o auxílio de terapia oferecidos por alunos de psicologia, que logo auxiliaram a mesma a fazer meditações, atividades físicas, ocupar o tempo com coisas que fazem bem. “Infelizmente são apenas 3 sessões, mas que fazem toda a diferença”, diz a educadora. 

Segundo a Organização Mundial da Saúde, 9,3% dos brasileiros têm algum transtorno de ansiedade, como Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG), fobias, o Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC), estresse pós-traumático e ataques de pânico. Com a pandemia, os casos de ansiedade aumentaram em 80%, de acordo com levantamento da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj). 

A psicóloga Ellen Maria, explica que não existe uma única definição para o termo Saúde Mental, mas que ao contrário do que se imagina, não significa somente a ausência de transtornos mentais. “A saúde mental considera um estado de bem-estar, de qualidade de vida e de habilidades cognitivas e emocionais para o enfrentamento de mudanças e desafios no decorrer da vida” esclarece.  

Portanto é importante ficar atento a alguns sinais que apontam para a necessidade da procura por um profissional como, por exemplo, comportamentos disfuncionais e autodestrutivos ou que estejam causando prejuízo à qualidade de vida da pessoa e de terceiros, dificuldade em vivenciar as emoções e mudanças de forma equilibrada. A psicoterapia opera de forma preventiva, promovendo autoconhecimento e autonomia, que preparam o indivíduo para o enfrentamento de novos ciclos e mudanças, de situações conflituosas ou ainda desconhecidas.  

A profissional ainda explica que os transtornos mentais não apresentam uma causa específica e diversos são os fatores que contribuem para o seu desenvolvimento, como fatores biológicos, psicológicos e socioculturais e que uma rede de apoio familiar está associada com esses fatores em diversos níveis, principalmente na garantia de direitos fundamentais do indivíduo durante a sua formação, desta forma, tem sua importância enquanto fator de proteção. “Lembrando que, o desenvolvimento de transtornos mentais é uma possibilidade humana universal”, informa Ellen Maria.  

A tristeza, assim como outros sentimentos e emoções, são reações a tudo que vivenciamos no dia a dia, desta forma devem ter a sua importância reconhecida. O que pode sinalizar um quadro depressivo é a duração e a intensidade com que a tristeza se apresenta, assim como a associação com outros sintomas, como alterações no sono, no peso, diminuição acentuada na energia e no interesse em realização de atividades.  

Dessa maneira, os processos terapêuticos são vivências singulares. É importante respeitar as escolhas do indivíduo, mas cabe ao profissional perceber os sinais de desistência também de forma clínica, considerando o que aquilo significa no processo.  

A psicóloga conclui dizendo que “você pode solicitar referência de outros profissionais de saúde ou pessoas de sua confiança, assim como utilizar plataformas de pesquisas adicionando algumas categorizações que se adéquem as suas necessidades como, por exemplo, a região dos locais de atendimento ou a modalidade remota”, finaliza. Por isso é importante verificar as experiências do psicólogo e o seu credenciamento no Conselho Profissional. 

Por Lidieth Sanchez

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