Prática de xadrez cresce durante a pandemia e oferece benefícios para quem joga

Com impulso de série, jogo de tabuleiro se torna popular e vira alternativa para ocupar a mente durante isolamento social.

Dados do Chess.com, a maior plataforma de xadrez online do mundo, mostram que houve uma expansão do xadrez. Nos últimos 12 meses, o número total de membros no site cresceu 43%. No Brasil, o número passou de 38.039 para 46.794 em abril de 2020. Já em março de 2021, 144.668 novas contas foram criadas. Esses números tentam explicar o fenômeno, que surgiu com o início da pandemia e que cresceu ainda mais após o lançamento, em outubro de 2020, da série “O Gambito da Rainha”, além do aumento de transmissões de partidas online.

Produção própria a partir de dados do Chess.com sobre contas criadas durante a pandemia

Desde março de 2020, com o início da pandemia, fora adotadas diferentes medidas para evitar a propagação da Covid-19, o que fez com que uma grande parcela da população ficasse em casa e o isolamento social virasse parte da rotina das pessoas. 

Sentimentos como o tédio, tristeza e solidão vieram à tona, e quem estava em casa buscou formas de se distrair, se entreter e se divertir. Aprender ou jogar xadrez tornou-se uma das alternativas para este momento. resultando em uma ampliação do número de novos praticantes. O jogo de tabuleiro traz benefícios como criatividade, concentração, tomada de decisões, entre outros fatores que ajudam na parte psicológica e cognitiva. 

Segundo o psicólogo Caio William Pontes de Sousa, diversos benefícios podem ser explorados no jogo: “O xadrez trabalha percepção, interpretação de jogadas, elaboração de estratégia e contra estratégia e por tabela tem os alívios emocionais para a ansiedade”, explica. 

Apesar de todos os proveitos, a prática do xadrez não é muito popular no país, como descreve Rafael Leitão, um dos 14 grão-mestres do Brasil, “O xadrez nunca foi muito popular no Brasil, mas, ele está crescendo, a partir do momento que for ensinado nas escolas ele vai se tornar popular. Não faz parte da nossa cultura e é difícil mudar isso em pouco tempo, mas espero que mais pessoas tenham contato para conhecer o jogo”, explica. 

Rafael Leitão joga desde os 6 anos e começou a se dedicar à atividade incentivado pelo pai. Ele continuou a praticar na escola e logo depois começou a frequentar torneios: “Aprendi a jogar em casa mesmo, jogava as competições da escola, mas foi assim, meu pai joga, ele me ensinou e ensinou ao meu irmão, foi no ambiente familiar que a gente começou a jogar”, conta. 

Xadrez tem um boom após lançamento de série 

Após o aumento do interesse pelo jogo de tabuleiro, no começo da pandemia, um outro fator influenciou a atração ao xadrez, a série O Gambito da Rainha. “Não há dúvida que a série Gambito da Rainha popularizou o xadrez no final do ano passado, as pessoas acabaram se atraindo pela trama, o xadrez claramente se tornou mais popular depois disso, espero que as pessoas tenham se interessado e não seja apenas uma febre passageira, mas que as pessoas realmente tenham curiosidade de aprender mais sobre o jogo”, diz o grão-mestre. 

A produção da Netflix alcançou grandes audiências. De acordo com o site The Hollywood Reporter, 62 milhões de telespectadores assistiram a série nas primeiras quatro semanas, em que esteve no catálogo da plataforma de streaming e, devido a isso, o xadrez ficou mais popular entre os jovens e adultos, que passaram a pesquisar mais sobre o termo que dá nome à série. No auge da popularidade, o número de vezes que “Gambito da Rainha” foi buscado aumentou aproximadamente 1.000%. O termo faz parte do xadrez caracterizado por movimentos onde um peão é sacrificado a fim de obter vantagem no jogo. 

O xadrez 

Pra quem não conhece, o jogo acontece em um tabuleiro de 64 casas, onde 32 são de uma cor e 32 de outra, cada jogador dispõe de 16 peças, além disso as peças têm movimentos diferentes. O objetivo do jogo é encurralar o rei adversário com o xeque-mate. Todas as peças (com exceção do Cavalo), independente de quantas casas andem, têm o raio de ação limitado pelas outras, amigas ou inimigas. Ou seja, caso uma peça amiga esteja no caminho, ela não poderá parar nesta casa, ou em qualquer outra que esteja ocupada. No caso de uma peça inimiga, não é permitido chegar em uma casa passando pela casa ocupada, porém, é possível capturá-la, removendo-a do jogo e posicionando a peça captora na casa que ela ocupava no tabuleiro.

Entenda o movimento das peças.

Por André Vinicius de Sousa 

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