Cooperativas e cooperados do DF e entorno mudam rotina para enfrentar a crise causada pela Covid-19

Em meio a restrições de atividades e protocolos a serem seguidos, associações e trabalhadores buscam alternativas para se adaptarem a esse novo contexto 

Cooperativas do Distrito Federal e entorno têm sofrido com os efeitos da pandemia de covid-19 desde os primeiros decretos do governo local que suspenderam ou restringiram inúmeros setores na economia da capital federal. Diversas associações tiveram as atividades suspensas ou restringidas, o que inviabilizou seu funcionamento, além de acarretar prejuízo financeiro. 

A Recicla Mais Brasil, uma associação de catadores do DF com sede no Paranoá, foi uma das empresas que sofreram de imediato os efeitos das medidas de restrição. Devido ao primeiro ato do Governo do Distrito Federal suspendendo as atividades não essenciais, a cooperativa não pôde realizar as atividades de coleta e triagem seletiva contratadas junto ao SLU – DF, o Serviço de Limpeza Urbana, de março de 2020 até julho do mesmo ano. Durante essa paralisação, os únicos serviços autorizados a continuar foram aqueles relacionados a contratos de coleta em condomínios, permitindo que a cooperativa não ficasse sem receita durante esse período. 

Tainara Brasil, uma das cooperadas da associação, presenciou toda a dificuldade que a instituição passou e ainda enfrenta durante a pandemia. “Durante esse período fizemos várias parcerias para arrecadação de alimentos para nossos catadores que não puderam trabalhar. Durante todo esse tempo eles foram assistidos e o GDF também disponibilizou um auxílio de R$408,00 por 3 meses”, informou a cooperada. 

Apesar de muitos catadores da associação verem com alívio a volta ao trabalho a cada medida do governo local que flexibiliza a atividade, uma das preocupações recorrentes dos profissionais é contrair o vírus enquanto exerce a função. Após o fim da primeira restrição imposta ao setor, em meados do ano passado, a Recicla Mais Brasil dedicou mais atenção às pessoas vulneráveis à infecção pelo novo coronavírus. “Após o retorno das atividades, infelizmente pessoas do grupo de risco não puderam voltar ao trabalho. Como tínhamos poucas pessoas classificadas nesse grupo (apenas 3), nós damos auxílio a elas. Felizmente nenhum caso foi confirmado na cooperativa”, explica Tainara Brasil. 

Sobre quais protocolos foram adotados para proteção dos catadores contra a Covid-19, a associação informou ter tomado medidas de segurança rigorosas para evitar a proliferação do vírus no local de trabalho, como uso obrigatório de máscaras, distanciamento de um catador para outro, óculos, avental e os demais EPIs que já se utilizavam antes, tais como luva.  

No entanto, como bem observou Tainara Brasil, além de oferecer equipamento de proteção, é fundamental orientar os catadores com relação à prevenção da doença, assim como tomar as providências necessárias em caso de suspeita. “Fazemos a conscientização dos catadores uma vez por semana e medimos a temperatura de todos quando chegam. Qualquer pessoa que apresenta sintoma, mesmo que seja aparentemente apenas uma gripe, é afastado por no mínimo 14 dias, podendo retornar antes do prazo apenas com resultado negativo para a COVID 19. São também afastados todos os que têm contato direto com qualquer pessoa da família contaminada que residem na mesma residência”, concluiu. 

Outra associação que também sofreu os impactos da pandemia foi a COOPINDAIÁ, Cooperativa Mista da Agricultura Familiar, do Meio Ambiente e da Cultura do Brasil. Com sede em Luziânia-GO (a aproximadamente 58 km de Brasília), foi criada com a missão de promover agricultura sustentável, com produção de alimentos sem uso de agrotóxicos, além de dar auxílio a pequenos produtores rurais. Acostumada a lidar com os problemas estruturais da agricultura familiar, a instituição viu as dificuldades aumentarem com a chegada da pandemia. 

Luciano Andrade, diretor-presidente da cooperativa, contou que muitos serviços foram interrompidos de imediato a partir das restrições às atividades do setor. “Várias atividades paralisaram. Tínhamos, por exemplo, uma fábrica de polpa de frutas que fazia entrega nas escolas. A fábrica parou. A assistência técnica e capacitação dada aos produtores também parou por conta da aglomeração. Com a pandemia, a gente parou com as entregas de alimentação nas escolas referentes ao PNAE (Programa Nacional de Alimentação Escolar), provocando um impacto muito grande pra nós”, explica. 

Para evitar “fechar as portas” da associação, Luciano disse que precisou criar alternativas para não depender do governo, buscando ampliar a oferta de serviços para cidades mais distantes no DF: “Estamos fazendo vendas de cestas privadas, fazendo delivery de casa em casa, tentando sobreviver sem depender das políticas públicas do governo. O serviço de entrega tem ajudado muito”, conta o presidente da cooperativa. 

Segundo o Anuário do Cooperativismo Brasileiro 2020, realizado pela OCB (Organização das Cooperativas Brasileiras), existem no país mais de 5.314 cooperativas com registro ativo, sendo 66 delas no Distrito Federal. Ainda de acordo com o estudo publicado, mais de 15 milhões de pessoas são cooperadas no Brasil, dos quais 220.394 estão na capital federal. No âmbito nacional, o cooperativismo é responsável pela geração de 427.576 empregos diretos. 

Por: Allan Ricardo 

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