Descarte inadequado de máscaras preocupa trabalhadores

Segundo dados do Instituto Akatu, ONG voltada ao consumo consciente, estima-se que desde o início da pandemia, em março de 2020, o Brasil efetuou o descarte de mais de 12,7 bilhões de máscaras. O peso total destas máscaras equivale a 4,7 mil elefantes africanos (o maior animal terrestre) ou a 7,9 mil ônibus urbanos. Em volume, essa quantidade de resíduos seria suficiente para preencher mais de 9 mil apartamentos de 50m² ou para encher 457 piscinas olímpicas. 

A máscara de proteção tornou-se um acessório obrigatório durante a pandemia e o descarte inadequado pode prejudicar o solo, os rios, os mares e ainda coopera com o aumento da contaminação do vírus. Isso porque ao ser descartada de maneira incorreta, ela pode chegar nos barracões de lixo reciclável e colocar a vida de muitos trabalhadores em risco.  

Ainda há muitas dúvidas sobre o descarte de máscaras contaminadas, pois existe um lixo específico na hora de descartá-la. A enfermeira Luciana Firmino explica sobre esse processo: “De acordo com o setor de Controle de Infecções da Vigilância Sanitária, esses materiais, após usados, não devem ser colocados diretamente na lixeira. No ambiente hospitalar, por exemplo, embalamos a máscara em saco plástico (de preferência saco branco com identificação de lixo contaminado). A máscara que for usada em casa não deve ser misturada com os materiais recicláveis. O ideal é descartar as máscaras no lixo do banheiro, junto com o papel higiênico”, explica. 

Essa mesma recomendação é seguida pelos funcionários da escola onde trabalha a professora de português Ranyele Vargas. Desde que as escolas particulares de Brasília retornaram o ensino presencial, a professora de português passou a comprar mais de 50 máscaras descartáveis por mês para se proteger. Tal medida é necessária para a redução do contágio com o novo coronavírus: “Normalmente eu levo um quantitativo bem alto, cerca de 10 máscaras em uma bolsinha para socorrer as pessoas que necessitam. E eu utilizo em média de 03 a 04 máscaras diariamente”, relatou a professora. 

Este grande número de máscaras usadas precisa ser descartado em lugares determinados porque a prevenção é essencial nesse momento tão delicado. “Lá na escola é orientado que nós realizemos o descarte no lixo do banheiro, pois os colaboradores da limpeza já têm esse conhecimento e uma precaução maior ao retirar esse lixo”, ressaltou Ranyele Vargas, professora. 

Programa de extensão da UnB acompanha mudanças na limpeza urbana 

Com o foco no desenvolvimento sustentável, o programa de extensão Pare, Pense e Descarte da Universidade de Brasília, Faculdade de Ceilândia, coordenado pela professora doutora Vanessa Cruvinel, tem o objetivo de desenvolver ações de vigilância em saúde, vigilância ambiental, inclusão social, entre outras ações com os catadores de materiais recicláveis do Distrito Federal. O projeto ajuda a sensibilizar a comunidade acadêmica e a sociedade quanto à importância da coleta seletiva.  

A aluna da Universidade de Brasília, Karoline Evangelista, faz parte do projeto e relata que o descarte errado contaminou a vida de muitos trabalhadores: “Muitos catadores da Cidade Estrutural-DF tiveram contato com máscaras contaminadas que foram descartadas de forma incorreta e testaram positivo para o covid-19. E agora, para evitar esses casos de contaminação, a SLU- Serviço de Limpeza Urbana do Distrito Federal, está fazendo uma política totalmente diferente”, explicou. 

Antigamente o lixo da Cidade Estrutural chegava e era separado no mesmo dia e, se possível, na mesma hora. E para minimizar os riscos de possíveis contato e disseminação do vírus, o lixo passou a ser armazenado ao ar livre por 72 horas e só é separado após o término desse período. 

Por: Lucas Bessa

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