BRASÍLIA RETOMA ATIVIDADES CULTURAIS COM CRÍTICAS E INVESTIMENTO MILIONÁRIO

Ações emergenciais da Secretaria de Cultura e Economia Criativa têm aporte de mais de R$ 20 milhões

Classificada pela empresa americana de consultoria empresarial Mercer como a cidade brasileira com melhor qualidade de vida para se morar, Brasília se viu, em 2020, obrigada a paralisar atividades de cultura e lazer em virtude da pandemia de Covid19.  A interrupção não somente trouxe impactos negativos para a saúde do brasiliense, com elevação da sensação de tristeza em pessoas já propensas a transtornos mentais, conforme revelou o diretor do Samu do Distrito Federal (DF), Alexandre Garcia, em entrevista ao Metrópoles-, como também para a economia, de modo geral, que passou a acumular prejuízos devido ao fechamento de cinemas, academias, casas de shows, bares, restaurantes, clubes, parques e outros.

Passados os momentos mais duros das medidas de isolamento social, iniciadas pelo Governo do Distrito Federal em março, Brasília voltou a oferecer, aos poucos, em 03 de junho, após decreto publicado em edição extra do Diário Oficial do Distrito Federal (DODF), algumas opções de lazer. Passaram a ser permitidos, por exemplo, shows musicais em bares e restaurantes, clubes, cinemas, teatro, visitação a parques, apresentações artísticas em estacionamentos, etc. Nesse contexto, ganhou destaque o Drive-Show, série de eventos organizados em conjunto por nove produtoras de Brasília, com pontapé inicial no mês de agosto e duração aproximada de três meses.

Envolvido diretamente na realização do evento, o empresário e produtor artístico Fabiano Castro disse que o retorno paulatino do setor de eventos forçou a interrupção do Drive-show. O produtor classificou a experiência do formato como positiva. “ Foi uma experiência bem legal, bem inovadora dentro do mercado não só da música, mas do entretenimento no geral (…) só a questão de retorno financeiro não foi muito legal, tem muito custo atrelado a isso, com menor público”.

Em relação ao apoio do Governo do Distrito Federal (GDF) ao setor cultural, Fabiano Castro é enfático ao afirmar que as ações não alcançaram quem precisava. “De verdade, não fomos apoiados. No começo da pandemia, em março e abril, apareceram algumas coisas dizendo que os músicos de Brasília iriam receber incentivos da Secretária de Cultura, mas isso não aconteceu e se aconteceu a maioria não recebeu”. Para o produtor artístico, a burocracia impediu o acesso às políticas desenvolvidas.

O secretário Bartolomeu Rodrigues afirma que a Secretaria de Cultura e Economia Criativa (Secec) lançou, logo após a declaração da situação de emergência nacional, uma série de ações com o objetivo de atenuar a situação da comunidade artística do Distrito Federal. O secretário destacou alguns editais emergenciais:

– Edital FAC Apresentações On-line: 86 projetos foram aprovados com aporte de R$ 2 milhões com potencial de gerar 3100 empregos diretos e indiretos;

– Edital Prêmios FAC Brasília 60: R$ 2 milhões ao todo destinados a artistas e organizações que promoveram a cultura no DF;

– Edital Premiação Brasília Junina 2019: R$ 501 mil destinados a 40 grupos de quadrilhas juninas pelas suas trajetórias ao longo dos anos;

Para além destes editais emergenciais, segundo o secretário Bartolomeu Rodrigues, a Secec lançou ainda em 2020 o FAC Visual Periférico e o FAC Regionalizado, com aporte de R$ 22 milhões, e avançou na quitação de editais importantes para fomentar a economia criativa do DF.

Para Ygor Siqueira, CEO da 360 Way Up, empresa de produção, distribuição, assessoria e consultoria de projetos audiovisuais, o principal desafio é a comunicação clara sobre a reabertura do setor “ Incluindo cinemas, teatro e shows ainda existe um déficit de informação para que as pessoas possam realmente retomar tudo. Há aqueles que estão com ‘medo’, mas creio que realmente a falta de clareza, diretrizes de muitos governantes para a retomada da cultura está afetando brutalmente”. O CEO da 360 Way Up afirma que em 2020 o objetivo é manter o setor respirando e para 2021 visualiza uma retomada ainda tímida no primeiro semestre, ganhando força a partir do segundo semestre.

Apesar da retomada gradual e com observância a protocolos de segurança, os brasilienses ainda se dividem quanto a frequentar os espaços de cultura e lazer. A estudante Kamilly Victoria, 18, comemorou a flexibilização, já o aposentado Valeriano dos Santos, de 70 anos, não pretende frequentar espaços com aglomeração, exceto por necessidade extrema, enquanto não chegar uma vacina contra o coronavírus.

Com o afrouxamento das medidas de isolamento social, já não faltam opções culturais e de lazer para a população de Brasília.

Por: Elana Fabricia, Larissa Oliveira, Marysa Santos, Thayse Faustino, Walquíria Jorge 

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