Veganismo e Vegetarianismo crescem no Brasil: Saiba os benefícios

De acordo com a Sociedade Vegetariana Brasileira (SVB), o número de adeptos a essa prática alimentar chega a quase 30 milhões

Por: Daniel Natan, Dinah Andéa, Mateus Sousa e Natália Mota.

Para alguns, apenas uma tendência passageira, para outros, um estilo de vida. O fato é que o vegetarianismo tem ganhado notoriedade e feito com que muitos abandonem um estilo de alimentação comum e priorizem opções que proporcionam incontáveis benefícios.

Uma pesquisa do IBOPE demandada pela Sociedade Vegetariana Brasileira (SVB), aponta que aproximadamente 30 milhões de brasileiros se declaram seguidores do hábito de alimentação vegetariana, número que representa quase 15% da população.

Outro hábito alimentar que vem crescendo é o veganismo. Não, não é a mesma coisa. Apesar de não existirem pesquisas sobre o número de veganos, a SVB aponta: Levantamentos de outros países mostram que, proporcionalmente, pelo menos 33% dos que se declaram vegetarianos, são veganos. Logo, dos quase 30 milhões de adeptos ao vegetarianismo, acredita-se que cerca de 7 milhões são veganos. Vejamos as diferenças e benefícios de cada um deles.

Veganismo

O veganismo é uma ideologia que anula toda e qualquer exploração animal, sendo ela na alimentação ou vestuário. Os que optam por esse tipo de alimentação, se abstém de alimentos de origem animal, isso inclui os seus derivados como, laticínios, ovos e mel, assim como produtos testados em animais. Este movimento visa promover os direitos e proteção dos bichos, tendo assim, uma dieta balanceada em vegetais.

A professora de 45 anos, Vitória Rodrigues relatou que é vegetariana há 13 anos, no seu caso ela ainda consome derivados de animais, tais como, leite, ovos e queijo. E com isso, sua mudança alimentar foi bem flexível, se adaptando rapidamente, pois, segundo ela, encontrou bastante alimentos para substituir o consumo da carne, e durante esses anos, ela conta que não sentiu nenhuma deficiência em sua saúde, raramente adoece e também não faz o uso de remédios.

Evelyn Magalhães, 25, é vegana há 2 anos, e um certo dia se questionou o porquê de amar tantos os animais de estimação e comer carne bovina e frango. Após uma pesquisa sobre o assunto, assistiu um documentário sobre a exploração industrial dos animais, e no mesmo dia decidiu cortar todos os derivados de animais da sua alimentação.

Disse também que a sua saúde melhorou bastante, pois estava obesa e com outras doenças relacionadas a qualidade da sua alimentação. “Minha saúde melhorou muito, parei de tomar antibióticos e raramente fico gripada, eliminei a minha gordura no fígado e hoje tenho uma vida mais saudável”, afirmou.

A estudante Alécia Alves tem 22 anos, é vegana desde setembro de 2018, e afirmou que a sua transição não foi fácil, e que encontrou dificuldades em comer fora de casa, pois há poucos lugares com alimentos sem derivados de animais. E assim, foi parando aos poucos com o consumo de carne, o divisor de águas foi a sua tolerância a lactose. Com isso, um certo dia decidiu abandonar de vez a carne por 3 meses e percebeu uma melhora significativa na sua saúde.

“Com o tempo a gente vai tendo tanta convicção que está fazendo a coisa certa pelos animais, pelo meio ambiente, e pela nossa saúde, que fica cada vez mais fácil, e cada vez mais você não sente falta, você não sente vontade de comer carne e nada de derivados, e hoje posso dizer com certeza que não sinto falta de comer carne” contou Alécia.

A nutricionista Laura Rainha, que estuda sobre o veganismo e vegetarianismo, afirmou que esse tipo de alimentação ajuda a diminuir a incidência de câncer e doenças cardiovasculares. Mas alerta sobre o erro mais comum, que é de cortara carne de uma vez, pois o corpo precisa de um tempo para se adaptar. Normalmente as pessoas consomem carne durante toda a vida e que se restringido, o corpo irá sentir falta e tentará compensar de alguma forma causando um desequilíbrio no organismo. O principal risco nutricional é a fadiga, o corpo ficará lento e cansado.

Segundo a nutricionista, deve-se fazer uma transição aos poucos, cortando primeiro a carne vermelha, assim consumindo mais vegetais ricos em proteínas. Cortar as carnes brancas (aves e peixes), retirar o ovo, e por último, o leite e os demais derivados. Geralmente essa transição leva de 6 meses a 1 ano de acordo com os hábitos alimentares de cada pessoa.

“É importante saber que no nosso organismo existem dois tipos de aminoácidos, os não essenciais que o nosso organismo produz e os essenciais que devem ser consumidos a proteína de origem animal é de alto valor biológico, ou seja, contém todos os aminoácidos essenciais para atender as nossas necessidades nutricionais. É importante estar sempre atento na escolha do alimento o ideal e procurar um profissional para fazer um plano alimentar de forma que não haja deficiência de proteína no organismo” afirma a especialista.

O impacto da alimentação vegetariana na diminuição de doenças

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Foto: Natália Mota

A dieta vegetariana ainda é tratada como tabu, muitas pessoas condenam a prática dessa alimentação, porém o que muita gente não sabe é que, comer mais produtos de origem natural traz benefícios para a saúde. Segundo o IBOPE, no ano de 2018 cerca de 14% dos Brasileiros se declararam vegetarianos, uma estimativa de 29 milhões de pessoas que não ingerem alimentos de origem animal.

Pessoas que somente se alimentam de vegetais e frutas, tem 22% a menos risco de desenvolver doenças cardíacas. Segundo o Departamento de Clínica Médica da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo – FMUSP, mostram que essa dieta reduz significativamente a pressão arterial em indivíduos hipertensos, “Apesar de não haver dúvidas que a restrição (e melhor ainda a eliminação) de fontes de proteína animal é um fator que melhora a saúde, é necessário que isso seja feito com a apropriada adequação da alimentação”, afirma a endocrinologista, Dra. Juliana Lara.

Como a alimentação interfere em algumas doenças?

 O colesterol é um dos principais causadores de doenças do coração, esses índices tendem a aumentar, devido a vários fatores como por exemplo: Uma alimentação rica em produtos industrializados, fast food e dieta com base em proteína animal e o sedentarismo. Podem resultar no aumento da taxa do ácido úrico e do colesterol ruim. Segundo pesquisas realizadas pelo American Dietetic Association – ADA, os níveis de colesterol ruim são 14% mais baixos em pessoas vegetarianas e ovo-lacto vegetariana, em comparação a indivíduos que ingerem alimentos de origem animal e embutidos.

Existem casos de pacientes que ocorreu a melhora nas taxas de colesterol, de acordo com a endocrinologista Dra. Juliana Lara, mesmo com histórico familiar, é possível diminuir as taxas de colesterol e melhorar a qualidade de vida, ela conta um pouco da história do seu marido, “adotou uma dieta ovolactovegetariana há dois anos. Apesar de um terrível histórico familiar de problemas cardíacos, com incidência de quase 100% em seus avós, após deixar de comer carne conseguiu diminuir sua pressão média de 13×9 para 11×8 e seus níveis de colesterol para limites bastante seguros e saudáveis”, relata.

A obesidade doença que preocupa a todos, chega a afetar cerca de 18% da população brasileira, como mostra os estudos do Ministério da Saúde. Foram feitas pesquisas pela ADA, onde mostra que existe uma redução significante e uma melhora na saúde de indivíduos que optam por inserir comidas de origem vegetal no seu cardápio, quando comparada a uma pessoa que não possui hábitos saudáveis de alimentação.

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A obesidade doença que preocupa a todos, chega a afetar cerca de 18% da população brasileira, como mostra os estudos do Ministério da Saúde. Foram feitas pesquisas pela ADA, onde mostra que existe uma redução significante e uma melhora na saúde de indivíduos que optam por inserir comidas de origem vegetal no seu cardápio, quando comparada a uma pessoa que não possui hábitos saudáveis de alimentação.

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A endocrinologista afirma que a alimentação sem proteína animal, por si só, não é sinônimo de boa nutrição, “É muito comum que pacientes vegetarianos ganhem peso por passar a ingerir uma quantidade grande de alimentos processados, como massas e refeições congeladas, nutricionalmente pobres e ricas em sódio”. Para ter uma boa refeição equilibrada, é necessário haver a ingestão de macronutrientes (carboidratos, proteínas e lipídios) e micronutrientes (vitaminas e minerais), para acabar com as dúvidas sobre a dieta, é necessário consultar os especialistas.

O Instituto Nacional de Câncer (INCA) revela que somente no ano de 2018, foram registrados 16.370 mil casos no Brasil de mulheres com câncer no cólon do útero, cerca de 8,1% Brasileiras.  Essa doença é causada principalmente pelo vírus da HPV. Porém, de acordo com o Fundo Mundial de pesquisas em câncer, há evidências para o risco de desenvolvê-lo quando há o consumo elevado de carne vermelha e processada.

O Veganismo e a prática esportiva

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Imagem: rodolfoperes.com.br

Muitos atletas declararam-se veganos, mas ainda existem muitas dúvidas sobre a prática esportiva de alto rendimento unida ao estilo de alimentação excludente de nutrientes de fonte animal. A população vegana vem aumentando significativamente nos últimos anos, principalmente nos países desenvolvidos. O estilo de alimentação vegana é bastante restrito, por isso, muitas dúvidas surgem a respeito da adequação dessa dieta por atletas de alta performance, como: O rendimento do atleta cairá? Vai haver uma desregulação nos níveis hormonais? O atleta terá energia para desempenhar o esforço físico exigido?  O atleta não vai perder massa muscular? Essas questões só podem ser respondidas por profissionais da saúde. Portanto, Nutricionistas e especialistas da área da educação física são fundamentais para o acompanhamento desses atletas e também, para o acompanhamento das pessoas que procuram conciliar a prática de atividades físicas com uma alimentação vegana. A importância da busca por informações sobre nutrição, também é um passo fundamental para a adesão de uma educação alimentar vegana, é o que aconselha vários nutrólogos. Segundo a nutricionista Ana Ceregatti, especialista em alimentação vegana e vegetariana, ‘o consumo de alimentos ricos em proteína vegetal, como [feijões, grão-de-bico, lentilha, ervilha seca, fava e soja], cereais como quinoa, aveia e amaranto, além das oleaginosas [castanhas, nozes, amêndoas, pecãs, pistache, avelã e macadâmia], são fundamentais em uma dieta vegana. Antes dos treinos, os atletas veganos devem sempre consumir boas fontes de carboidratos, como frutas, legumes e verduras’. A nutricionista Marina Nunes, especialista em nutrição clínica e esportiva, nos fala sobre a importância da vitamina B12 sintética para os veganos, as necessidades nutricionais de um atleta de alto rendimento, e também, faz orientações para a suplementação do atleta vegano:

Força vs Veganismo

Uma matéria produzida pelo site combate.com, abordou casos de lutadores veganos e conversou com especialistas sobre esse estilo de vida no meio dos lutadores de MMA. Em entrevista com o treinador americano Mike Dolce, o treinador afirma que é possível encontrar os aminoácidos necessários em uma dieta vegana para obter uma boa nutrição, entretanto, a disciplina com a alimentação deve ser muito maior e, o tempo de regeneração muscular será mais lento comparado a um atleta que consome proteínas de fonte animal.

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 Foto por:Dinah Andéa

Atleta vegano e disciplina

Profissionais da saúde recomendam que é preciso manter o equilíbrio na alimentação, com proteínas, gorduras e carboidratos devidamente balanceados. Estudos apontam que pela variação de nutrientes de uma alimentação vegana, o consumo de vitaminas, minerais e fitoquímicos antioxidantes consequentemente são maiores, aumentando assim a produção de energia dentro das células, além de tornar o PH sanguíneo mais alcalino. Portanto, o organismo dos atletas veganos elimina mais toxinas do que o organismo dos atletas onívoros. Por conta da restrição alimentar proteica, o esforço e disciplina exigido pelo atleta que optar por uma alimentação vegana deve ser muito maior comparado a um atleta onívoro, muito também, pelo fato de que a grande variedade de nutrientes provenientes de fontes vegetais os quais poderiam substituir os nutrientes das fontes animais, são difíceis de encontrar no mercado comum. Entretanto, muitos atletas de expressão, adotaram a disciplina alimentar vegana como aliada para obter bons resultados.

Atletas veganos e ícones do esporte mundial

Carl Lewis: considerado pelo comitê olímpico internacional como o maior atleta do século xx, Carl Lewis afirma que os melhores resultados de sua carreira foram obtidos a partir do momento que decidiu tornar-se vegano.

Fiona Oakes: Ativista vegana que venceu a maratona do Polo Norte (Noth Polo Marathon) de 42Km, batendo o recorde da prova em uma temperatura ambiente de -28°.

Mac Danzig: é conhecido como um atleta de alto nível no MMA, um esporte brutal que exige elevados níveis de força e agilidade. A princípio, cortou laticínios por causa de alergias, mas há vários anos tem mantido uma dieta vegan. Entre seus alimentos favoritos estão o arroz integral, cogumelos Portobello, quinoa, feijão preto, lentilhas, nozes e sementes.

Venus Williams: a tenista norte-americana mudou sua alimentação após ser diagnosticada com a síndrome de Sjogren, uma doença autoimune que causa olho e boca seca. Para Williams, sua dieta não só não afetou sua capacidade atlética, mas também melhorou sua saúde.

Billie Jean King: considerada uma das melhores tenistas e atletas femininas de todos os tempos, conquistou dezenas de títulos ao longo de sua carreira.

Mike Tyson: apesar de ter seguido uma dieta “extremamente carnívora” durante seus anos de luta, o astro resolveu mudar a alimentação quando começou a sentir sua condição física decair, sofrendo de artrite, problemas articulares e vários quilinhos a mais.

A decisão é sua!

Como vimos, esse estilo de alimentação traz impactos positivos a todos os que se dispõem a segui-lo com dedicação e disciplina. Isso mesmo, todos. Desde a dona de casa, até atletas de alta performance.

De fato, são incontáveis os benefícios de uma mudança radical de hábitos alimentares. Os depoimentos de seguidores e especialistas, tanto do veganismo quanto do vegetarianismo, mostram que vale a pena o esforço em prol de uma vida mais saudável, equilibrada e livre de doenças. Que tal dar uma chance a essa prática?


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