Dificuldades de ingressar no Ensino Superior

Por vezes o caminho até a sonhada graduação pode se mostrar complicado, mas os estudantes tentam superar as barreiras para conseguir entrar e manter-se no tão sonhado curso

Por: Bruna Ferreira, Gabriel Ellan, Lisandra Nascimento e Matheus Dourado

Por um longo tempo muitas pessoas acreditaram e compactuaram com a ideia de que o acesso a universidades era restrito apenas a certa parte da população, geralmente à elite. Entretanto, políticas públicas de ações afirmativas e a luta de movimentos educacionais modificaram o cenário. Hoje os estudantes que possuem baixa renda têm acesso a programas que auxiliam a entrada nas universidades públicas e particulares.

caderno
(Foto: Gabriel Ellan)

O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), por exemplo, é uma das portas de entradas para o acesso às universidades, pois com ele é possível fazer uso de programas como o Programa Universidade para Todos (ProUni) que garante bolsas em universidades privadas, Financiamento Estudantil (Fies) um programa de crédito educativo, destinado a financiar a graduação no ensino superior de estudantes que não tem condições de arcar com os custos da formação e o Sistema de Seleção Unificada (Sisu) o sistema informatizado no qual instituições públicas de ensino superior oferecem vagas para candidatos que participaram do Enem.

Porém, apesar de ter o acesso de certa forma facilitado, muitos estudantes ainda encontram obstáculos durante o caminho até o ensino superior e por muitas vezes durante a graduação. A necessidade de estar preparado para provas de vestibulares é cada vez maior, pois assim as chances de conseguir uma vaga na faculdade dos sonhos aumentam. Infelizmente são inúmeros os fatores que não contribuem para a preparação do aluno, dentre eles: a má infraestrutura de escolas, o psicológico do estudante que por conta da pressão pode ser muito afetado, entre outros.

Já na graduação, por vezes é muito difícil que o estudante consiga manter-se, existem gastos com materiais próprios para o curso escolhido, com a locomoção e alimentação, muitas vezes para que o aluno permaneça em um local próximo ao lugar de ensino.

Como os alunos se preparam para entrar no Ensino Superior

Para muitas pessoas, ingressar na faculdade é um grande acontecimento. Entretanto, ao terminar o ensino médio, os alunos se deparam com muitas barreiras, sendo a principal delas a imensa concorrência para entrar nessas instituições. Os alunos que querem seguir o caminho de fazer a graduação antes de terminar o ensino médio já vêm criando uma base de estudos, fazendo cursinhos ou estudando em casa, assim buscando uma vaga nas universidades públicas ou para prestar o vestibular nas universidades particulares.

A universitária, Bruna Silva de Jesus, de 22 anos, estudou durante seis meses em casa até conseguir começar o ensino superior. Bruna frequentou escola pública e conta que a escola a preparou, mas não focou nas matérias essenciais, sentindo a necessidade de complementar o aprendizado que obteve. “Estudar em casa requer muito mais disciplina”, explica. O estudante Isaque de Aragão, também comenta que essa dificuldade é ainda maior para aqueles egressos de escolas públicas, pois não tem a base necessária de estudo.

Pensando nessas complicações, em 2003, jovens da Universidade de Brasília (UnB) pensaram em ampliar o acesso de jovens com menos oportunidades de ingressar no Ensino Superior e fundaram o Vestibular Cidadão. Esse cursinho visa preparar os alunos da rede pública de ensino ou bolsistas integrais de escolas particulares dando auxilio para terem uma maior oportunidade em entrar nas instituições de graduação.

Em Brasília, além do Vestibular Cidadão, existe também o Galt Vestibulares, um cursinho pré-vestibular gratuito que prepara educandos, principalmente de baixa renda, para o Enem e o Processo Seletivo de Avaliação Seriada (PAS). Para ingressar nos cursinhos, o interessado deve fazer uma prova na primeira etapa e uma entrevista com os voluntários na segunda etapa. “Nosso foco sempre foi empoderar as pessoas com menos oportunidades e possibilitar que elas pudessem ingressar no ensino superior”, conta Rubenilson Cerqueira, co-fundador do Galt. Hoje em dia, o cursinho gratuito possui um índice de aprovação de 60% em universidades e já contabiliza mais de 800 alunos aprovados em faculdades no país inteiro.

Focando nos estudos

Conseguir entrar em uma faculdade é a realização de um sonho pessoal com a perspectiva de um futuro melhor ao atuar na profissão escolhida. No entanto, o acesso ao ensino superior no Brasil ainda continua restrito e os estudantes se esbarram nas dificuldades de fazer uma graduação.

Larissa
Larissa Tôrres, estudante em busca de passar no PAS para cursar Medicina (Foto: Matheus Dourado)

Como explica a aluna Larissa Monteiro Tôrres, 17 anos, 3º ano do ensino médio “comecei a fazer cursinhos no ano passado como bolsista. Esse ano eu estou focada no PAS que é feita para os alunos de escola pública com três etapas, no primeiro, segundo e terceiro ano do ensino médio”. Larissa pretende cursar medicina e quer entrar na UnB.

Durante o período de estudo, os alunos encontram dificuldades na caminhada até entrar na faculdade, não foi diferente com Larissa. “Muitas dificuldades não só eu como muitos que estudam comigo encontram essas mesmas dificuldades, financeiro, qualidade de ensino que as escolas proporcionam normalmente não são o suficiente para nos instruir em uma prova, a falta de investimento”, afirma.

O Governo também faz parte na conquista dos sonhos desses jovens e por muitas vezes esses desejam que o estado ajude de alguma forma, sendo em forma de encorajamento ou com programa de estudos que forneça aulas sem custos para esses alunos. Larissa Tôrres aponta o que poderia ser feito. “Acho que o governo também poderia nos ajudar de alguma forma, digo os alunos com os perfis iguais ao meu, melhorando a qualidade de ensino das escolas, acredito que precisamos ter um incentivo ás vezes”.

 

Os custos podem ser um empecilho, porém há formas de contornar essa situação

Já o fator financeiro ainda pode ser uma dificuldade na vida de quem sonha com algum curso de graduação. Pois é necessário estar preparado para prestar as provas de universidades públicas e particulares. E para quem não pode arcar com os custos de um cursinho de renome no mundo dos vestibulares algumas atitudes precisam ser tomadas.

A busca por algum tipo de bolsa é de extrema importância, aulas em plataformas onlines podem ser de grande ajuda já que os custos são bem menores em relação ao deslocamento e às aulas propriamente ditas, mas é necessário ter disciplina caso o estudante opte por essa opção que é de fato muito mais barata.

info1

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2004 os estudantes mais ricos representavam 55% nas universidades públicas e 68,9% nas particulares. Já em 2013 os valores caíram para 38,8% e 40% respectivamente. Os estudantes de escolas públicas estão ocupando mais lugares e percebendo que é possível ir atrás de sonhos, por maiores que eles sejam.

A realidade está em constante mudança e para a alegria de quem sonha com uma graduação as opções para facilitar o acesso são diversas, tanto em relação a descontos, financiamentos, cotas que auxiliam quem pode fazer uso do recurso. O estudante precisa ficar atento às datas, aos sites das faculdades da cidade que deseja uma vaga, pois, em alguns momentos do ano são divulgadas algumas oportunidades de bolsas, ou até mesmo só para entender o funcionamento dos financiamentos da instituição. No caso de instituições públicas também são divulgadas datas de vestibulares que ocorrem ao longo do ano, vagas ociosas, tudo o que pode ajudar no processo de entrada.

Para quem precisa arcar com os custos individualmente ou para aliviar as contas de quem pode auxiliar nos pagamentos, é sempre bom recorrer a alternativas para economizar dinheiro e também para ganhar. Sempre tendo em mente que é necessário manter um tempo para se dedicar aos estudos, se não de nada vale o esforço.

A infraestrutura nas escolas

Muitos alunos para alcançarem seus objetivos com os estudos necessitam de um ensino de qualidade. Há milhões de escolas pelo o Brasil e o comum entre elas é o ensino, porém muito dessas escolas não tem a infraestrutura necessária para proporcionar aos seus alunos a formação necessária para alcançar as universidades púbicas, estaduais e particulares. Ter uma infraestrutura escolar de qualidade ajuda no desenvolvimento do aluno que tende a querer seguir uma profissão e para isso acontecer, além do incentivo dos pais, também a escola tem parte nisso.

Isso influência no dia a dia do estudante, pois é na escola que ele passa muito tempo do seu dia, durante muitos anos. Quando a organização não tem condições de oferecer essa qualidade, os índices de abandono escolar aumentam, as reprovações e a falta de interesse dos alunos.

Os serviços básicos que uma instituição deve disponibilizar são água filtrada, banheiros de qualidade, cadeiras confortáveis, salas limpas, pátios cobertos, entre outras. Mas a escola também deve oferecer laboratórios de informática, de ciências, de química, de física, quadras esportivas e bibliotecas de qualidade.

escola
Escola CEM 417, Santa Maria (Foto: Lisandra Nascimento)

Nesse contexto, as escolas também têm o dever de impulsionar os alunos a seguirem os seus sonhos de fazer uma graduação e se tornar um profissional. Há muitas formas de ajudar esses alunos, encorajando eles a irem para as aulas, trazendo os conteúdos de formas mais interativas e divertidas. Porém muitas escolas não tem a infraestrutura suficiente para ajudar os alunos, como explica Douglas Ferreira, professor de português do Centro de Ensino Médio 417. “O CEM 417 tem muitas limitações estruturais, como a maioria das escolas públicas do DF. Mesmo com todos os obstáculos que se apresentam, a equipe pedagógica tenta incentivar os alunos a focar nos estudos, pois essa é uma forma de ascensão social mais acessível ao cidadão menos favorecido”, explica.

Ferreira ainda comenta que a escola busca outras formas de proporcionar um ambiente de estudo adequado “o corpo docente desenvolve projetos individuais, como aulões aos sábados com foco no PAS, e também projetos coletivos que partem da equipe pedagógica da escola, como semana do Enem. Em paralelo aos projetos da escola com foco no vestibular, a escola mantém parcerias com instituições de ensino superior que fazem palestras sobre cursos e profissões, promovendo visitas às faculdades para inserir os estudantes dentro da realidade universitária e ao mercado de trabalho”, finaliza.

 

A estudante do CED Gisno (Asa Norte), Jennifer Santos, 3º ano, relata que onde estuda há projetos de incentivos para os alunos estrarem na faculdade “um dos projetos é o Mais Enem, lá eles dão aulas referentes ao Enem e incentivam as pessoas a entrarem em uma faculdade pública ou particular”. Santos diz que na escola a infraestrutura não está muito boa “o ensino é bom, temos laboratórios, uma quadra, porém não é coberta, já infraestrutura não está sendo tão boa para os alunos”. Ainda explica como a escola tem oferecido o suporte necessário para conseguir entrar em uma universidade:

Supervisionado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Anísio Teixeira (Inep), existem algumas formas para testar a educação das escolas do Brasil, uma delas é a info2Prova Brasil e o Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica (Saeb), prova feita de dois em dois anos nas escolas de ensino fundamental de todo o país, ela serve para avaliar o rendimento de ensino. O Censo Escolar que obtém informações a respeito da educação e estática educacional brasileiro. Também existe o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb).

O Ideb foi criado em 2007, tem por objetivo avaliar o desempenho das escolas de ensino fundamental e médio, dividindo em duas modalidades o fluxo escolar e as médias de desempenho nas avaliações. Esse cálculo é realizado através das informações do Censo Escolar e as notas das avaliações feitas pelo o Inep (Prova Brasil e a Saeb).

É feita de dois em dois anos esse levantamento de dados, com a média de seis pontos. De acordo com a última pesquisa feita em 2017, o Distrito Federal obteve a nota de 6.3 do 5º ano e 4.9 do 9º ano do ensino fundamental, já no ensino médio a avaliação feita com os alunos do terceiro ano obteve a nota de 4.1. Nesse ano, as provas aconteceram no mês de outubro com a meta de alcançar a nota 5.2 para ensino médio, 5.6 para 9º ano e 6.6 para o 5º ano.


Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s