Dia do professor: educar é tarefa de mais de 2,5 milhões de profissionais no Brasil

Salário de educadores é um dos menores do mercado

Professor- Yasmin Ramos       Foto: Yasmin Ramos

Por: Yasmin Ramos

O Dia do Professor é comemorado nacionalmente no dia 15 de outubro. A data é uma forma de exaltar o ato de educar, que atualmente é cargo de mais de 2,5 milhões de docentes de todo o Brasil que atendem aos ensinos fundamental, médio e superior, segundo dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep).

De acordo com informações do Ministério da Educação (MEC), a educação foi instituída no Brasil no ano de 1827, a partir do decreto de D. Pedro I que determinava a criação de escolas. A instituição da data comemorativa, porém, só foi realizada 120 anos após o decreto imperial.

A iniciativa partiu do professor Salomão Becker, que propôs uma reunião à equipe do Colégio Caetano de Campos – escola em que atuava –, para discutir os problemas da profissão, planejar as aulas e trocar experiências. A reunião tornou-se então, no dia 14 de outubro de 1963, por meio do decreto federal nº 52.682, o feriado que conhecemos hoje como Dia do Professor.

Para o professor do curso de comunicação social, do Centro Universitário Estácio, Alexandro Romão a educação é essencial para o desenvolvimento social de um país “porque ela é capaz de instrumentalizar a população tanto para atividades profissionais, tanto para atividades de níveis civis, para que a gente possa conviver em sociedade”.

Educação no Brasil

Praça- Yasmin Ramos      Foto: Yasmin Ramos

Segundo dados da análise de 2019 – realizada pela Campanha Nacional pelo Direito à Educação– do monitoramento das metas do Plano Nacional de Educação (PNE), o cenário educacional do país tem sido desfavorável à evolução. O estudo revela que das 20 metas estabelecidas pelo PNE, para execução até o ano de 2018, 16 estão estagnadas e quatro foram cumpridas apenas parcialmente.

Além disso, o balanço demonstra que caso os investimentos na educação continuem reduzidos, cerca de 90% das propostas futuras – com cumprimento estipulado para o ano de 2024 – poderão estar muito atrasadas ou até mesmo completamente comprometidas; só no ano de 2019 os prejuízos no orçamento educacional somam R$ 5,8 bilhões de recursos contingenciados.

Estudante- Yasmin RamosFoto: Yasmin Ramos

Outra informação preocupante que comprova queda na qualidade de ensino do país é o desempenho de alunos brasileiros no Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa); o progresso na avaliação também é uma das metas do PNE que não foram executadas.

Pisa

Segundo o Inep as avaliações acontecem a cada três anos e abrangem três áreas do conhecimento – Leitura, Matemática e Ciências – havendo, a cada edição do programa, maior ênfase em cada uma dessas áreas. De acordo com o relatório da Campanha, o Brasil obteve resultados inferiores aos anos anteriores, o pior desempenho foi no âmbito de matemática, com 377 pontos. As informações são do exame de 2015.

Desafios

Um dos maiores desafios da educação destacados pelo Inep é a valorização dos profissionais do magistério. Os dados apontam que os educadores ganham 25% a menos do que outras classes operárias, o que faz muitos estudantes optarem por outras carreiras de profissão.

Na avaliação de Alexandro Romão outro desafio atual é a metodologia empregada em sala de aula:

 

 

Fábio Vila Nova, graduando do curso de Jornalismo, acredita que o principal problema do ensino brasileiro é a falta de investimento “a Educação é a área mais importante para alavancar um país. Temos muitos exemplos de países desenvolvidos que investiram pesado em educação, e hoje estão colhendo qualidade de vida, com pessoas empreendedoras, estão super avançados em questões tecnológicas. Infelizmente no Brasil, ao invés de investir mais na educação, estão tirando do pouco que já tem”, afirma.

O estudante destaca que a classe do magistério é menosprezada “a desvalorização dos educadores me entristece, porque eles são responsáveis por formar todas as profissões. Se os professores tivessem melhores salário, por exemplo, tenho certeza de que a capacitação fornecida por eles seria melhor, logo a qualidade do conhecimento seria elevada”, diz.

Para Vila Nova “outro fator que pesa, são as péssimas condições de trabalho que os professores têm na Rede Pública. Professores são verdadeiros guerreiros por tudo que fazem com tão pouco no Brasil”.


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