Governo lança edital para privatizar Metrô- DF

Empresas com experiência comprovada em operação de sistema metroviário podem participar

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(Foto: Paloma Carvalho)

Por Paloma Carvalho

Após as recorrentes greves dos metroviários, o governo do Distrito Federal publicou no Diário Oficial da União no dia 3 de maio um edital para privatizar o metrô de Brasília. O documento prevê a participação de empresas jurídicas que tenham experiência na operação do sistema e as propostas podem ser apresentadas até 3 de junho.

As empresas interessadas em participar devem apresentar documentos que comprovem regularidade fiscal e trabalhista da pessoa jurídica, projetos, levantamentos, investigações e estudos de modelagem técnica, manutenção e eventual expansão dos serviços de transporte metroviário. Além disso, a empresa dará continuidade nas obras de estações em andamento. O Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Transportes Metroviários do Distrito Federal (SindMetrô/DF) reivindica o cumprimento das sentenças judiciais que não foram cumpridas.

Em nota o sindicato da categoria, explica que a privatização do Metrô não é a melhor saída. Isso porque o problema da empresa sempre foi a má gestão e não o dinheiro. “Muito fácil o governo falar que o Metrô traz prejuízo, pois o governo tem a obrigação de repassar dinheiro para empresas de transportes que por exemplo, no ano passado, recebeu R$ 627.825.960,97 de aporte do governo das gratuidades e quando falamos do Metrô, é 1/3 desse valor que na verdade o governo não repassa, dizendo que o dinheiro que eles investem na empresa é prejuízo quando na verdade não é”. Afirma ainda que o metrô precisa ter uma gestão que conheça o sistema e que esteja em contato direto com os trabalhadores, ou seu representante. “Nós, que trabalhamos no sistema Metrô/DF, entendemos melhor do que ninguém como funciona a empresa e o que se pode fazer para mantê-la pública e saudável”, explica. Atualmente o Metrô DF opera com uma frota de 32 trens e transporta em média 160 mil passageiros por dia.

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(Foto: Paloma Carvalho)

Para usuário Rafael Lima, pedagogo que utiliza o serviço “o metrô é caro e ineficiente”.

Em contrapartida, a assistente social Fabíola Cavalcante que também faz uso do transporte declara não concordar com a privatização. “ A tentativa é alcançar o Estado mínimo e isso é muito ruim. O próprio serve também para balizar e compor os interesses do capital, privatizando, perde-se o controle da qualidade de serviços”, diz Fabíola.

Para o deputado Fábio Félix (PSol), a participação popular nessas tomadas de decisões é fundamental, quando se trata de um tema tão central no cotidiano dos moradores do Distrito Federal. “O debate deve se dar com a população e com a Câmara Legislativa do DF para que alternativas sejam pactuadas coletivamente. Os serviços públicos são um patrimônio da população do DF e não podem sofrer esse desmonte”.

Procurada pela equipe de reportagem do Blog Foca News, a Secretaria de Transporte e Mobilidade (Semob), não se pronunciou sobre o assunto.


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