Números sobre a vacinação no Brasil preocupam

Segundo o Ministério da Saúde, vacinas destinadas a crianças menores de dois anos de idade registram queda desde 2011, com acentuação a partir de 2016

foto capa

Por Arthur de Souza

“Melhor prevenir do que remediar”. O dito popular, que está na boca de tantos brasileiros, nunca foi tão deixado de lado. O índice de imunização no país caiu, prova disso é a recente perda do certificado de erradicação do sarampo concedido pela Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS).

Um dos principais motivos dessa queda nos números é a divulgação de boatos sobre as doses. Uma pesquisa feita em março por pesquisadores de faculdades de medicina de São Paulo, mostrou que 45% dos pais têm medo das reações das vacinas em seus filhos. Porém, o mais alarmante é que 32% deles procuram informações sobre elas pela internet, ao invés de procurar diretamente um médico.

O Ministério da Saúde tem mostrado cada vez mais preocupação em fazer com que essas notícias sejam desmistificadas e reafirmou a segurança das vacinas ofertadas no Calendário Nacional de Vacinação, considerado referência mundial pela Organização Mundial de Saúde (OMS) e OPAS.

Em contato por e-mail com o Foca News, o órgão divulgou dados que mostram queda no índice de vacinação em crianças menores de 1 ano, conforme o gráfico abaixo.

Gráfico Vacinas
Dados divulgados pelo Ministério da Saúde sobre as principais Coberturas Vacinais em crianças menores de 1 ano, no Brasil e no DF

O Ministério da Saúde afirma que os números ultrapassaram a marca de 100% pois o quantitativo a ser vacinado é uma estimativa. Além disso, algumas crianças podem ser vacinadas mais de uma vez. Outra questão importante é que algumas pessoas deixam de se vacinar em seus Estados, o fazendo em outro.

Para o governo, outro fator que pode ter contribuído para a queda nas coberturas vacinais identificada nos últimos anos é o próprio sucesso das ações do Programa Nacional de Imunizações. Segundo a pasta, “o fato de algumas doenças terem sido eliminadas ou terem baixa ocorrência no país, como a poliomielite, por exemplo, causou uma falsa sensação de que não há mais necessidade de se vacinar porque a população mais jovem não conhece o risco”.

Movimento Vacina Brasil

Lançado no dia 9 de abril, o Movimento Vacina Brasil conta com ações coordenadas pelo Ministério da Saúde para reverter o quadro de queda das coberturas vacinais no país registrado nos últimos anos, conforme o gráfico acima.

“O movimento será difundido ao longo de todo o ano, não apenas durante as campanhas de vacinação, e vai reunir uma série de ações integradas entre órgãos públicos e empresas para conscientizar cada vez mais a população sobre a importância da vacinação como medida de saúde pública”, afirmou o órgão em nota.

Vacina
Paciente recebendo dose da vacina contra gripe (Foto: Arthur de Souza)

Mitos e Verdades

A equipe do Foca News entrevistou a Dra. Giulianna de Sousa Felizola, médica pediatra da Secretaria de Serviços Integrados de Saúde do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que desmistificou algumas afirmações que existem sobre as vacinas.

  • Existem vacinas que necessitam de renovação

“VERDADE. Algumas vacinas precisam de pelo menos 3 doses para produzir uma resposta imunológica eficaz, como a vacina contra Hepatite B. Outras vacinas necessitam de reforço, como a Tríplice Viral (que protege contra Sarampo, Rubéola e Caxumba) que precisa de 1 dose de reforço e a dT (vacina contra difteria e tétano), que necessita de reforço a cada 10 anos. E, por último, a vacina da gripe sofre modificação em sua composição anualmente e por esse motivo deve ser realizada todo ano”.

  • É perigoso tomar várias vacinas de uma vez

“MITO. A aplicação de mais de uma vacina no mesmo dia, não implica em riscos adicionais para a saúde, além dos efeitos adversos próprios da vacina. A única ressalva é não realizar mais de uma vacina de vírus vivos no mesmo dia, em menores de 2 anos – por exemplo, febre amarela junto com tríplice viral. Neste caso, deve-se respeitar o prazo de 30 dias entre cada vacina”.

  • Só é possível tomar vacinas na rede pública

“MITO. Existem várias clínicas particulares que oferecem vacinas, incluindo as mesmas vacinas que existem na rede pública e outras vacinas que não existem na rede pública e oferecem proteção adicional. Por exemplo, na rede pública está disponível a vacina para gripe trivalente – que protege contra 3 tipos de vírus –, enquanto na rede particular existe a opção de realizar a vacina para gripe tetravalente – que protege contra 4 tipos de vírus”.

  • Efeitos colaterais graves são comuns em quem toma vacina

“MITO. Efeitos colaterais graves são EXTREMAMENTE RAROS”.

  • Vacina só é necessário para quem tem imunidade baixa

“MITO. O calendário vacinal engloba todas as faixas etárias e é para toda a população. Dependendo da imunodeficiência, podem ser indicadas vacinas adicionais e algumas vacinas são contraindicadas – vacinas de vírus vivos”.

  • Quem possui doença crônica não pode se vacinar

“MITO. Inclusive, portadores de doença crônica fazem parte dos grupos prioritários para vacinação contra a gripe”.


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