Bolsa Atleta, um custo necessário

Em 2005, o governo Federal criou o programa Bolsa Atleta com o intuito de beneficiar atletas de alto desempenho e incentivá-los na prática esportiva, para que consigam bons resultados em competições de âmbito nacional e internacional.

Este benefício é considerado o maior programa de incentivo direto do mundo, segundo o Ministério dos Esportes, contemplando modalidades Olímpicas e Paraolímpicas, entre outros. Conforme informações do Secretaria Especial do Esporte do Ministério da Cidadania, mais de 51 mil bolsas foram concedidas para 20,7 mil atletas.

Valores

Os critérios de seleção para esses esportistas variam conforme o benefício e o perfil do solicitante. Como existem 4 tipos de modalidades que atendem aos critérios, cada uma possui o máximo de quantia a ser oferecido, que varia entre R$ 925,00 e R$ 15.000,00, como mostra o gráfico abaixo:

Curiosidades

Nos Jogos Paralímpicos do Rio de Janeiro 2016, o Brasil contou com a participação de 286 atletas em 13 esportes diferentes, sendo representado em 99 finais. Confira mais informações sobre o desempenho dos atletas beneficiados abaixo:

90,9% dos esportistas que conquistaram alguma medalha nos jogos do Rio 2016 eram bolsistas, 9,1% recebiam patrocínio externo, o Brasil conquistou 72 medalhas, sendo 14 Ouros, 29 Pratas e 29 Bronzes. Sob esta ótica foi a melhor participação da história do Brasil.

 O que dizem os atletas

A jovem Ana Luísa Dantas compete pela categoria sub-18 do atletismo e recebe o Bolsa Atleta desde 2016. Ana diz que o valor do benefício é baixo, porém ela afirma que o utiliza em sua preparação.

“Essa Bolsa pra mim é muito importante, aliás, é muito pouco, mas ajuda bastante por que tem famílias que não têm condições de bancar um atleta por que tênis é muito caro, roupa e alimentação.” – Relatou Ana em entrevista ao Foca News.

Atleta paralímpico do Distrito Federal, Herivelton Ferreira é tricampeão brasileiro de Vela e foi um dos competidores dos jogos Paralímpicos Rio 2016, mas não conseguiu ser contemplado com o benefício. Ele explica a dificuldade dos atletas que tentam, mas não conseguem receber a bolsa, e como é realizado o processo.

De acordo com Herivelton, no Brasil, não há aquela característica de ter um patrocínio das empresas privadas. Com a falta de apoio, o Bolsa Atleta é mal distribuído, pulverizado somente em alguns esportes, como futebol, vôlei e algumas outras modalidades. A Secretaria Especial do Esporte do Ministério da Cidadania indeferiu a bolsa na categoria Vela, alegando que nos jogos de Tóquio a modalidade não entra como uma disputa paralímpica.

Desde 2016 tentando o benefício, Herivelton destaca como se sentiu ao ter o benefício negado. “Eu senti, pessoalmente, como uma coisa desencentivante na prática do esporte, porque todos nós tivemos gastos, contratempos e ainda temos até chegar lá,” comenta o atleta.

Como conseguir a Bolsa?

Para conseguir o benefício, os atletas devem ter bom desempenho na modalidade esportiva escolhida. Respeitada a hierarquia estabelecida, primeiro recebem os atletas olímpicos e paraolímpicos, depois os internacionais, nacionais, estudantis e por fim os de base. Além disso, os esportes individuais levam vantagem sobre os coletivos na escolha dos beneficiados, por exemplo.

Os interessados em participar do programa deverão preencher os pré-requisitos estabelecidos pelo Secretaria Especial do Esporte do Ministério da Cidadania como idade, vínculo com uma entidade de prática desportiva, possuir filiação à Entidade de Administração de sua modalidade, tanto estadual (Federação) como nacional (Confederações), entre outras.

Perspectivas para 2019

No final de 2018, o governo Temer, por meio de portaria publicada no Diário Oficial da União, determinou corte de 47,5% no número de bolsas, o que culminou no fim das categorias: Estudantil e Atleta de Base. As bolsas concedidas aos atletas da elite do esporte permanecem intactas. A última lista de contemplados foi publicada pelo Diário Oficial da União no dia 27 de dezembro de 2018, contendo 3.058 nomes.

Número de atletas contemplados com a Bolsa Atleta

De acordo com a Assessoria de Comunicação da Secretaria Especial do Esporte do Ministério da Cidadania, entre as metas do Governo Federal para os seus primeiros 100 dias está a realização de um estudo aprofundado do programa para racionalizar a distribuição de recursos de forma equitativa, sem descuidar da preparação para os Jogos de Tóquio 2020. Dessa maneira, a modernização do programa garantirá a manutenção do apoio a atletas olímpicos e paraolímpicos brasileiros, sem descuidar das categorias de base. O estudo também inclui a avaliação sobre a necessidade de recomposição do orçamento do programa, que perdeu recursos nos últimos anos.


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