Mercado Sul exibe cultura e resistência em Taguatinga, DF

O espaço abriga famílias que idealizam iniciativas culturais coletivas

Por Ana Beatriz Moreira, Larissa Lourshania e Cássio Miranda

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Foto: Ana Beatriz Moreira

O Mercado Sul surgiu na década de 50 por conta da necessidade das pessoas de comprarem comida e roupas na região administrativa de Taguatinga, DF. Nas décadas de 60 e 70 os hipermercados e shoppings começaram a chegar à capital federal, isso fez com que a economia se descentralizasse, assim o Mercado Sul acabou ficando abandonado no sentido comercial. Nessa época, vários boxes acabaram virando prostíbulos e pontos de venda de drogas, a estrutura foi sucateando e entrando em decaimento, fazendo com que o local fosse esquecido e perdesse a vida, no ponto de vista dos moradores da região.

Mercado Sul – ocupação

No início dos anos 2000 surge o Invenção Brasileira, que em 2005 se transformou no Ponto de Cultura Invenção Brasileira, local em que jovens e crianças puderam crescer convivendo com artistas e educadores de diversas áreas da cultura popular brasileira e das tecnologias livres e colaborativas. O grupo Invenção foi importante no processo de revitalização e ressignificação do antigo Mercado Sul, conhecido popularmente como Beco da Cultura.

Até as manifestações de 2013 houve um mormaço, mas logo após, ainda com a efervescência delas, em 2015, o MTST ocupou vários pontos da cidade, entre eles oito lojas do Mercado Sul que permaneciam abandonadas.

O pessoal mais envolvido com a cultura de Taguatinga, que já tinham uma articulação com o MTST, pensou na ocupação no sentido cultural e recebeu todo o suporte. Acabou sendo um movimento autônomo, e quem já morava lá começou a apoiar o movimento para realizar eventos culturais em parceria.

“Eles têm esse lance de viver em comunidade, todo mundo que mora aqui se conhece e se cumprimentam. É um mundo paralelo no meio da cidade grande”, afirma Yuri Barbosa, historiador e antigo morador do Mercado Sul.


Juan Morales, argentino, artista de rua

A comunicação com a comunidade é feita de diversas formas, em vários núcleos, e é uma comunicação orgânica, porque pessoas com interesses diferentes conhecem o Mercado Sul pelas oficinas e atividades que acontecem lá. Por outro lado, muitas pessoas que moram próximo ao local não conhece a ocupação.

O Foca News foi conhecer de perto as atividades do Mercado Sul Vive. Confira o vídeo:

Atividades Culturais

Ações voltadas à economia solidária são desenvolvidas no Beco da Cultura, como a Eco feira, que acontece aos sábados de toda lua cheia do mês. Um dia com muita música, apresentações, formação e diversas atividades, e o principal objetivo é que todo mundo saia de casa com comidas, bebidas e o produto que fabricam durante o mês para vender, realizar trocas e fazer novos laços com moradores e a comunidade. Tanto as pessoas que moram no mercado, quanto de outros locais que foram conhecendo o local ao longo do ano, expõem o seu trabalho na Ecofeira.

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A EcoLoja, foi criada (e é gerida) por expositores autônomos. A loja abriga artesanatos, ilustrações, livros e publicações independentes, camisetas, cosméticos naturais e outros produtos solidários. As obras são produzidas tanto no Mercado Sul, como por quilombolas ou pessoas em territórios indígenas de diversas regiões do país e são mandados para serem revendidos no local.

O Som de Papel produz instrumentos musicais apenas com materiais recicláveis, como papelão e sacos de cimento. O Juraci, responsável pelo projeto, está viajando e ofertando oficinas com o intuito de ensinar a sua arte para o resto do país.

Ligada a EcoFeira, existe a Rádio Mercado Sul, que faz transmissões ao vivo do evento, em dias específicos da semana, como na quarta-feira, dia em que uma feira rotatória em Taguatinga acontece e também marca presença na feira realizada pelo mercado.

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Estatuto da Cidade

Segundo informações do site do Mercado Sul, o objetivo da ocupação é preservar o local por sua dimensão arquitetônica e aflorar as diversas formas de cultura de um povo. Outra razão pela ocupação e resistência das famílias viverem ali é por conta que toda propriedade deve exercer seu papel social e produtivo, não apenas ficar nas mãos da especulação imobiliária, pois de acordo com a Lei No 10.257, DE 10 DE JULHO DE 2001, sobre o estatuto da cidade, diz que uma área ou construção urbana que não cumpre sua função social deve ser reordenada ao coletivo, ao bem comum, a inclusão do direito à moradia, a vida e o convívio saudável entre as pessoas.

Para Sônia Santos, o Mercado Sul é um local que faz parte de sua vida há muitos anos. Ao Foca News ela contou sobre seu ofício dentro da ocupação. Ouça:

Serviço

Local: Mercado Sul – QSB 12/13, Taguatinga Sul
Mais informações: arteeculturavive@gmail.com

Para conhecer mais sobre as ações do Mercado Sul Vive, acesse o site http://www.mercadosul.org/

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