Fake News: A grande protagonista das eleições

Após o início da campanha eleitoral as notícias falsas tomaram grandes proporções

Por Caroline Costa, Felipe Carvalho, Izabelle Gonçalves e Leticia Valadares

Um dos temas mais comentados nesse período de eleições na mídia em geral são as Fake News. Elas têm tomado grandes proporções e enganado muitas pessoas, principalmente através das redes sociais. Esse fenômeno tem acontecido no mundo todo, e no Brasil não seria diferente.

Segundo o Relatório de Segurança Digital, realizado pelo PSafe (aplicativo de segurança), 8,8 milhões de brasileiros foram impactados pelas Fake News em três meses. O cientista político e professor Pedro Augusto fala sobre pontos importantes do impacto dessas notícias.

Mas afinal, o que são as Fake News? Nada mais são do que notícias e informações falsas, ou modificadas, compartilhadas na internet como se fossem verdades. Elas também estão ligadas ao conteúdo sensacionalista que é usado para atrair os leitores, além de ter como objetivo manipular pessoas e eventos.

O WhatsApp é um dos maiores responsáveis pela disseminação dessas notícias falsas, já que os brasileiros têm consumido mais informações pelas redes sociais do que pela mídia tradicional. Ainda de acordo com relatório da PSafe, 95,7% desses conteúdos foram detectados pelo aplicativo no primeiro trimestre de 2018.

 

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Fake News nas eleições

Pode-se dizer que um fator de grande relevância que ajudou no crescimento dessas notícias foram às eleições deste ano. Na corrida presidencial pela cadeira no Palácio do Planalto as grandes protagonistas são as Fake News e não os candidatos.

De acordo com o Mestre em Ciência Política pela Universidade de Brasília (UnB), Everaldo Moraes, as redes sociais foram as grandes estrelas dessas eleições, e as Fake News são apenas uma parte desse “fenômeno moderno”.

Para Moraes, as redes sociais permitem que um número maior de pessoas atue em defesa de ideias, partido ou candidato. “Isso seria ótimo do ponto de vista democrático e da participação popular, por outro lado a qualidade dessa participação pode ser duramente questionada”, diz.

Ele ainda diz que, a dificuldade está em avaliar o quanto as pessoas são levadas a escolher esse ou aquele candidato baseado nas notícias de qualidade duvidosa, ou falsas, e o quanto as pessoas são, de fato, influenciadas por informações corretas que igualmente circulam pelos grupos de WhatsApp, Facebook ou Instagram.

“Hoje se questiona o peso das redes sociais nas eleições, o que até ontem era feito com relação ao tempo de rádio e TV. Isso mostra que houve uma diminuição no peso que os meios tradicionais de comunicação exercem sobre a tomada de decisão dos eleitores”, explica.

Por fim, ao ser questionado sobre o impacto das Fake News dentro do processo democrático brasileiro, Moraes avalia que os benefícios são “sempre superiores aos eventuais maléficos”.

Para ele um caminho possível é tentar diminuir esses efeitos negativos no processo eleitoral. “Cabe aos órgãos de controle e fiscalização a árdua tarefa de punir aqueles que, por ventura, abusem das novas plataformas disseminando informações falsas, calúnias e difamando candidatos”, diz.

O editor da TV Record de Brasília, Fabiano Bonfim, fala sobre alguns processos de checagem para evitar o compartilhamento das Fake News.

Uma pesquisa realizada pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) mostra que as notícias falsas propagam-se 70% mais rápido que as verdadeiras.

O grande índice de propagação de Fake News levou a criação das equipes de checagem de informações. Dentre elas está o projeto Comprova, que foi criado pelo First Draft (Centro de Estudos ligado ao Shorenstein Center da Universidade de Harvard), no Brasil está sob coordenação da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) e tem apoio do Instituto para o Desenvolvimento do Jornalismo (Projor) Link: (https://www.projor.org.br/).

O projeto foi inspirado no CrossCheck, uma iniciativa semelhante utilizada durante as eleições eleitorais presidenciais na França, em 2017. O Jornalista Douglas Rodrigues do Poder 360°, um dos veículos participante do projeto, explica como tudo funciona.

“É um trabalho colaborativo. São 24 veículos de imprensa. Tem vários jornalistas. Nós trabalhamos em grupo e temos um processo de checagem onde uma notícia não pode ser publicada enquanto os três veículos não concordarem com a veracidade daquilo. O trabalho é em grupo, trocamos fontes, apuramos e escrevemos textos em conjunto, mesmo trabalhando em veículos diferentes. E após essa notícia ser publicada no site do Comprova ela é publicada em todos os veículos parceiros”, diz.

Douglas conta que os jornalistas participantes passaram por cursos e processos de treinamentos. “Nós tivemos um treinamento online e também um em São Paulo que teve a participação do First Draft.

Também tivemos todo o amparo do Facebook e do Google com ferramentas para poder monitorar esses conteúdos”.

O projeto que teve foco nas eleições acontece até o fim do 2° turno, mas para Douglas os aprendizados adquiridos nesse período ficam para todos os participantes.

“É a mídia se juntando por um bem maior mesmo sendo veículos concorrentes, eu acredito que está sendo bom para todos, estamos aprendendo e vamos ter verificadores em vários veículos, porque após acabarem as eleições esse processo de checagem vai continuar”, finaliza.

Como identificar as Fake News

Há poucos dias para o segundo turno, é possível checar se as informações divulgadas são verdadeiras ou falsas. Além do projeto checagem, existem outras agências com o mesmo objetivo. A Agência Lupa, por exemplo, foi uma das primeiras agências de notícias do Brasil a se especializar na técnica jornalística mundialmente conhecida como fact-checking.

Outra também muito conhecida é Agência Pública que faz um confronto de histórias com dados, pesquisas e registros. O Fato ou Fake, serviço de checagem do Grupo Globo, também tem como objetivo tirar dúvidas do leitor sobre as notícias.

Ao receber uma notícia, você deve verificar alguns pontos:

 

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